segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Eu deveria não amar





No primeiro dia do ano de 2016 estava animada e feliz: tinha feito tudo o que podia para voltar. Sabia que encontraria você e fiquei satisfeita em saber que estava dando o meu melhor para estar novamente do seu lado e te ajudar dentro das minhas limitações. Um ano inteiro longe de você.

Eu poderia ter ido te visitar. Poderia ter dado um oi como quem não quer nada, talvez levar uma pulseira para Ela, e então conversaríamos sobre assuntos nada normais entre amigas, como comida sem sal ou açúcar, remédios, exercícios físicos e repouso. Poderia ter sentado uma última vez na cadeira da sua cozinha – com paredes sempre alvas e impecáveis – que você insistia em me perguntar se estavam limpas. Você não tinha uma visão muito boa, não é? 

Você nunca acertou dizer meu nome, mas eu sabia o carinho imenso que sentia por mim. Em todas as oportunidades em que pude encontrar alguém que tinha notícias suas, eu sempre perguntava como você estava, se estava fazendo as coisas certinhas, tomando seus remédios, fazendo seus curativos. Mas eu deveria ter ido te ver.

Claro que eu fiquei sabendo quando você piorou. Mas fui covarde demais para ir na sua casa e ver você naquele estado. Pensei “Tudo bem, estou voltando em breve, e verei ela sempre”. Porém, as coisas nunca são como planejamos.

No primeiro dia do ano de 2016 estava animada e feliz, e nesse clima de início fui cumprimentar uma amiga que tínhamos em comum. Ela me deu a notícia: você morrera. 

Se eu disser que fiquei triste ou chorei, estarei mentindo. As lágrimas estão rolando apenas agora em que estou me permitindo por essa dor para fora. No início eu só não entendia. Pensava que poderia bater na porta do número 47 e que você pediria para eu entrar. Pensava que finalmente poderia te entregar aquela dieta que copiei em letras gigantes para que você enxergasse e pudesse acompanhar.

Eu deveria não amar você como eu amo. Era para ser uma relação profissional, entretanto, não consegui não gostar da guerreira que você foi. Espero que aí esteja melhor do que aqui e espero que me perdoe por não ter te feito uma última visita. Você estará sempre no meu coração, como alguém que me ensinou a pureza do sorriso e a importância de gentilezas desinteressadas.

E então começou esse ano. Para mim, para sua família, para nossos amigos… menos para você. Sua lembrança ficará guardada junto aos números 29, 12, 2015. Junto a um ano que jamais vou esquecer, porque foi o ano em que eu percebi que não poderia voltar para você nunca mais.

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