sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Capítulo 11 - Mira



((Light))

Passos furtivos mostraram-me que, diferente do que tanto desejava, eu não estava sozinho.

– Light - Kaori suplicou, quase inaudível. - Você está bem?

Não respondi de imediato, estava muito confuso. Todas as certezas que tinha até ali escorregaram de meus dedos, como se fossem areia.

Era completamente insano o caderno ter falhado. Enquanto caminhava, minha mente foi procurando qualquer indício, qualquer sugestão de erros que poderiam ter ocorrido por minha culpa... mas não. Alguma coisa havia de fato acontecido, e não havia qualquer envolvimento meu.

– Shhhiu - disse à garota. - alguém pode reparar que você está falando sozinha.

– Mas eu não...

– Volte para dentro, Yaoshii - interrompi, e ao reparar meu semblante, ela não contrapôs. - Há coisas que preciso fazer, e você não pode estar comigo.

Ela perguntou, observando se havia alguém próximo a nós:

– E quanto aos nomes?

– Esqueça-os. Pelo menos por enquanto. - Era o melhor que podia fazer no momento, não que isso me agradasse. - Vá.

Ela me deu as costas e voltou para dentro.

"Onde você está, intruso?"

(...)

Agora que não haveria mais nenhuma interrupção que pudesse atrapalhar meu raciocínio, decidi repassar minhas alternativas.

Eu poderia procurar Near, mesmo não tendo certeza absoluta de que ele era meu intruso. Na verdade, eu colocaria minha mão no fogo - não que isso obtivesse algum efeito negativo sobre mim - se estivesse errado, mas o maior problema nisso tudo era adivinhar como Near ou qualquer outro idiota que se prontificasse a me desafiar tinha me descoberto.

Porém o maior problema até aqui não era esse, e sim o caderno. Ele nunca havia me deixado na mão, e duvidava de que em todas as suas passagens sangrentas pelo mundo humano isso de fato tenha ocorrido alguma vez. Ryuuku com certeza teria me informado.

Ou não?

Diante de todas essas especulações, decidi supor que meu intruso teria alguma ligação com a falha do caderno.

Se de fato eu não estivesse enganado nesse aspecto, porque ele teria esperado 4 dias para agir? Para me despistar?

Talvez…

A primeira coisa que deveria fazer era resolver o problema do intruso. Não adiantaria muito eu me esforçar em descobrir o que havia com o Death Note, já que não poderia resolver isto por enquanto.

Agora, mais do que nunca, N deveria morrer. Mesmo se ele não soubesse de meu retorno - pelo menos antes das mortes recomeçarem - era de minha vontade que o garoto morresse desde o primeiro momento, não era?

Foquei minha mente em nosso último encontro. Pelo que havia percebido, Near se sentia perfeitamente orgulhoso com o fato de ter assumido o posto de maior detetive do mundo - não que verdadeiramente o merecesse.

Só que eu não era idiota o bastante para colocar sua inteligência em discussão: ele não era L, mas se havia conseguido trocar meu antigo caderno por um falso...

BAM.

Como eu havia sido tão estúpido?

ERA ÓBVIO!

Aí estava minha prova de que Near era o intruso: ele havia feito como da última vez. Havia trocado os cadernos.

Mas como? O caderno esteve sempre em total segurança. Não havia meios humanos de adquiri-lo!

Como ele havia conseguido realizar tal proeza, afinal de contas?

Não importava no momento.

O ódio que já possuía pelo projeto de detetive foi intensificado a um nível tão alto que eu não acharia possível.

Precisava descobrir seu verdadeiro nome. Depois disso, tudo o que precisava era uma foto, para Kaori poder mentalizar seu rosto e matá-lo. E se o Death Note falhasse, eu o mataria, usando qualquer outro método. Não haveria nada no mundo que faria o cabelos cor-de-neve continuar vivendo.

A questão era: onde encontraria uma foto de Near?

Ele não seria tolo o suficiente de deixar qualquer vestígio de sua verdadeira identidade por aí. Tudo o que precisava descobrir era onde ele estaria agora, e quanto à sua foto... Talvez a Wammy’s House me fornecesse.

Havia decidido o que fazer.

Instruiria Kaori a ir ao orfanato de gênios sem deixar vestígios de sua visita. Se conseguíssemos realizar essas duas etapas... Seria o fim da vida de N.

(...)

"Se eu fosse o geniozinho, onde estaria agora?"

Apostava que ele se encontrava por aqui, principalmente depois que as investigações recomeçaram.

Então, se ele era visto como o sucessor de L, ele estaria...

Mas é claro! Na Central de Investigações!

Rapidamente, manifestei minhas asas e parti rumo ao leste, onde o suntuoso prédio que o falecido detetive havia construído se localizava.

Bastaria somente uma simples olhada... Só uma... E eu saberia o verdadeiro nome de N.

(...)

Ao ver-me em frente à imensa construção e, logo depois, à porta que dava entrada ao lugar onde o quartel general costumava se reunir, tive que me controlar para não rir.

Esses detetives eram tão fáceis de prever! Ali estava eu, em frente ao lugar onde havia ajudado a me investigar, ouvindo Near brincar com seus brinquedinhos de madeira, a meros 5 metros de mim.

Que mania louca era aquela? Talvez ele fosse mais parecido com L do que eu havia suposto.

Minha respiração acelerou, tamanha era a ansiedade de acabar logo com aquilo.


"Vamos, Light... Abra logo essa porta..."

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