sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Capítulo 7 – Revelação (parte II)



((Kaori))

As palavras de Kira crepitaram por meu quarto, atravessando as muralhas que construí durante todo esse tempo para me proteger. A sensação que tinha é que o caderno me encarava, como se implorasse por minha posse.

Podia sentir os olhos escarlates de Light (era esse seu verdadeiro nome, pelo que soube pelos noticiários após o final do Caso) me sondando, esperando por minha resposta. Eram olhos esperançosos, mas com um quê de orgulho sobressaindo-se: parecia que estava presente em cada palavra, cada gesto.

Depois de um meio sorriso amigável que Kira lançou para mim, parecia deplorável a simples ideia de dizer não...

Mas precisava agir com calma. Tinha que pensar nas consequências que isso traria para minha vida.

O único problema é que seu pedido resgatou lembranças há muito esquecidas. Ou que ao menos eu tentava esquecer...

(...)

Anos atrás minha vida foi imersa em um caos completo.

Tudo começou quando Aiko (garoto recém-chegado) atravessou a porta de minha classe escolar e sentou-se ao meu lado. Entre livros e matérias, algo acabou nascendo, sem que tivesse tempo de me dar conta.

Começamos a namorar. Companheiro, inteligente e divertido, Aiko sabia como fazer uma garota feliz.

Era mais do que perfeito. Até o dia em que alguém atravessou nosso caminho...

Raiden era o tipo garoto-problema. Violento, sem educação e completamente prepotente, acabou cismando em se aproximar de mim. Suas investidas e insultos persistentes contra Aiko conseguiam me tirar do sério.

Não adiantava. Por mais que eu tentasse, Raiden não me deixava em paz.

Comecei a perceber que aquilo que ele dizia “sentir por mim” não era amor, e sim puro orgulho. Ele simplesmente queria mostrar aos seus colegas de bando que conseguiria ter tudo o que tivesse vontade – inclusive a mim.

Aiko não estava aguentando mais. E eu, obviamente, morria de medo de toda aquela situação, porque sabia que uma hora, em minha ausência, algo ruim poderia acontecer.
Eu não podia permitir, pelo nosso próprio bem.

E mesmo com todos os meus esforços para me manter perto – sabia que Aiko não confrontaria Raiden perto de mim - , o que eu mais temia aconteceu.

Raiden provocou, e tudo foi por água abaixo.

Dois tiros certeiros levaram meu primeiro amor... E meu coração com ele.

Nunca mais soube de Raiden. A polícia nunca o encontrou. Por que a justiça nunca era feita?

Durante todos os dias, pessoas morrem, são assaltadas, machucadas... E o que acontece?

NADA. ABSOLUTAMENTE NADA.

Aquilo me revoltou. Eu precisava de justiça. Não só por mim, mas por Aiko e por quem ele deixou pra trás.

Mas como faria? Não consegui encontrar Raiden. Busquei por vários e vários meses, e era como se ele tivesse evaporado.

Aquilo não era justo.

Quando a dor ameaçava me derrubar e a saudade de Aiko aumentava, jurava a mim mesma que daria um jeito de fazer Raiden pagar por tudo o que fez a nós dois.

Só me faltava saber exatamente como.

O que eu não sabia é que a chance estava bem próxima de mim, exatamente a minha frente, com um caderno justiceiro em mãos.

Não era assassina.

Mas por mim... Pela falta de justiça... Pela falta de Misericórdia... Por Aiko.


– Eu aceito. Escrevo os nomes pra você. – respondi a Light Yagami.

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