sábado, 31 de outubro de 2015

Capítulo 5 - Caçada



((Light))

Sempre soube que era o tipo de homem preferido das garotas. Charmoso e inteligente, durante minha vida humana vivi cercado de pretendentes, e isso me agradava. Por isso, quando Ozaru revelou no que eu iria me tornar dali em diante, fiquei um pouco preocupado; não era o tipo de rapaz que servia para o papel de monstro. Porém, se isso fizesse com que obtivesse as rédeas de meus planos novamente, pagaria o preço.

Então, ao pisar novamente em solo humano, logo busquei uma oportunidade de me olhar em qualquer lugar que pudesse me refletir. Logo, encontrei uma janela espelhada de um majestoso prédio no centro de Kanto, minha cidade natal.

Me surpreendi. Não mudei como havia suposto, afinal.

Meus olhos... Ah, meus olhos! Como estavam incríveis! As íris, antes castanho-amendoadas, haviam se tornado de um tom sangrento de vermelho, que combinou com as cores de meus cabelos, esses, maiores do que jamais estiveram, desciam discretamente até os ombros.

Minhas costas nuas sustentavam um par de asas negras como ônix, suntuosamente planejadas para, além de destreza, demonstrar imponência.

É. Talvez, minha nova realidade não fosse assim tão ruim...

(...)

Depois de me admirar durante vários minutos, decidi focar toda a minha atenção no que realmente importava.

Precisava encontrar – e o mais rápido possível - um portador para recomeçar os julgamentos de Kira. Mas quem? Eis a questão. A única certeza que tinha é que essa pessoa deveria ser extremamente inteligente, ou cairia facilmente nas armadilhas que poderiam ser tecidas por Near.

Near...

Precisava matá-lo. Ele e todos os pequenos gênios da Wammy’s House. Não poderia mais correr o risco de meu portador ser pego por sucessores de L.

Eu poderia deixar Near viver um pouco mais... Quem sabe? Seria prazeroso vê-lo descobrir o retorno de Kira e que, em consequência a isso, iria morrer.

"Ah", pensei, "como a vingança é doce...".

(...)

Andando pelo centro da cidade, decidi me obrigar a realmente prestar atenção nas pessoas ao meu redor, e não ficar devaneando por situações que ainda estavam fora de meu alcance.

Com uma determinação furiosa, abri o caderno lustroso na esperança de obter as respostas de que tanto necessitava. Folheei-o, mesmo sabendo que suas páginas ainda estavam virgens. O que eu estava pensando? Que o Death Note, além de me proporcionar o julgamento, me diria com certeza o nome de meu futuro sucessor?

Mas espere um pouco. Havia algo diferente. Esse caderno, apesar dos poderes incomuns que possuía, não trazia nenhuma instrução de uso, como o que possuí tempos atrás.

Suspirei frustrado. Seria muito mais difícil do que eu imaginava. Por que será que Ozaru, além de tudo, havia retirado as instruções do caderno?

Não consegui obter nenhuma resposta que me convencesse que isto facilitaria as coisas para mim. Às vezes parecia que o Rei dos Shinigamis não estava ao meu lado, e sim contra mim.

(...)

Arrastei esses pensamentos para fora de minha mente e observei os humanos, pela milésima vez. “Agora entendo perfeitamente bem o que Ryuuku queria dizer quando dizia estar entediado”, pensei. Por horas a fio, entrei em uma constante caçada em busca de um novo Kira, mas minhas esperanças diminuíam quando o sol caía e as pessoas continuavam apressadamente aéreas, com gestos costumeiros e profundamente satisfeitos com o sistema atual. Era completamente fácil adivinhar o que elas fariam a seguir.

E Kira não era assim. Não se podia prever suas ações, além do padrão de matar assassinos. Não se conseguia saber ao certo quem seria eliminado; o que restava aos meus inimigos era somente a espera pela morte.

Além das corriqueiras buscas em minhas andanças, havia perdido horas em frente à TV, buscando qualquer vestígio de inconformidade, qualquer insinuação insatisfeita em relação à justiça, mas nada. Parecia que qualquer aliado que estava comigo havia ido embora com meu antigo caderno.

Mais uma vez, como um ciclo, o sol baixou no horizonte; uma brisa soprou meus cabelos cor de fogo. Argh. Não era possível! Simplesmente ninguém se encaixava no perfil!

Observando o crepúsculo, continuei caminhando rumo ao meu antigo colégio, onde tudo começou. Perambulei entre os estudantes, achando engraçado o fato de nenhum deles sequer notar minha presença. Ainda não havia me acostumado com a invisibilidade padrão de um deus da morte.

Caminhei. “E lá se vai mais um dia de incertezas”, refleti.

Então, uma voz chamou minha atenção.

– Todo dia a mesma coisa – a voz feminina dizia - esse mundo está podre. Podre! Onde está a justiça?

Rapidamente, me virei para ver a voz daquela que seria minha salvação. Sozinha com seus pensamentos e sentada em um dos muitos degraus da escada frontal do colégio, estava a garota mais linda que já havia visto. Sobre o ombro, seus cabelos ondulavam graciosamente mesclando mechas avermelhadas. Mesmo sem tocá-la, poderia jurar que sua pele marfim seria extremamente macia ao meu toque, e me vi imaginando como e quando iria comprovar isso. Os olhos cor de âmbar estavam entristecidos. Mesmo triste, era extremamente bela. Simplesmente magnífica... Completamente perfeita.

No mesmo momento quis me aproximar, porém lembrei-me de que não estávamos sós. Ainda havia alunos observando-a, talvez imaginando o porquê de tanta lástima. Precisava esperar o momento certo para agir.

Sentei-me ao seu lado, e como sempre acontecia ao me aproximar de um humano, ela nada sentiu. Logo acima de sua cabeça, estava presente um nome belamente incomum:

Kaori Yaoshii.


Era, afinal, a garota ideal para se tornar a deusa do novo mundo. Havia encontrado o que tanto procurava.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Inspirações para o Halloween



Não sei vocês, mas eu adoro o Halloween. Apesar de não ser uma comemoração pertencente à cultura brasileira, eu A-DO-RO. E mesmo amando essa data, não tive tantas oportunidades de participar de festas com esse tema. Entretanto o pessoal da faculdade resolveu organizar uma festa de Halloween, com comida temática, contos de terror, e vai ter até um canto dedicado ao Edgar Alan Poe (que, para quem não sabe, é autor de vários contos de terror maravilhosos).


E é claro, já estou me preparando para isso tudo. Pesquisei várias coisas diferentes, e decidi me vestir de gurololi. A festa vai acontecer nessa sexta-feira, dia 30 e estou me coçando de ansiedade. Tenho pesquisado muitas coisas para ter ideias para a festa, e vou dividir com vocês os links que mais gostei. Espero que ajude vocês também a arrasarem neste Halloween. 

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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Semana 42 – Quer acertar no meu presente? Então me dê…

Oi, gente! Dei até um sorriso bobo quando vi o tema dessa semana. Todo mundo gosta de ganhar presente e eu não sou exceção. Não prometo que essa lista terá só cinco itens, ok?



♥ Esmalte

Não sou fã de fazer a unha, mas amo pintá-las. E adoro todas as cores: clarinhas, metálicas, escuras, cintilantes… Eu tenho muito esmalte, mas sempre estou adicionando novos. Eu sempre fico feliz quando ganho um esmalte.

♥ Chaveiro

Outra paixão na minha vida é chaveiro. Tenho vários. Vivo perdendo, mas vivo repondo. Existem tantos chaveiros diferentes por aí, que fica até difícil padronizar meu gosto, então aceito qualquer um :D



♥ Coisas fofas em geral

Estojo, bolsa, brinquedinhos, bijuteria… qualquer coisa que respire fofura ganha meu coração instantaneamente.

♥ Livros

Talvez esse seja meu presente favorito mais caro. Eu amo livros, amo ler. Eles são sempre muito bem vindos. Livroslivroslivros <3



♥ Maquiagem

Quem me vê sempre de cara lavada pode até duvidar desse último item, mas eu adoro maquiagem. Por ter a pele oleosa, eu uso mais em ocasiões especiais - sexta-feira será uma dessas ocasiões. Depois de música, os vídeos de tutorial de maquiagem são os que eu mais vejo. Adoro ler reviews sobre produtos, dicas, etc.


Ó! Consegui manter só cinco itens. O que vocês gostam de ganhar? Deixem nos comentários. 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Kimi ni todoke volume 4


Olá! Quem tem uma coleção de mangás sabe que esse hobby não é muito barato e que alguns volumes podem ser impossíveis de encontrar – como eu disse aqui. O meu sofrimento maior tem sido, por alguns anos, conseguir o volume 4 de Kimi ni todoke. Essa edição é rara, cara e difícil de encontrar. Mas eu sou brasileira e não desisto nunca :D

Sempre fico pesquisando os valores e tals, e um dia me deparei com o volume 4 pela bagatela de R$30. Na hora fui bisbilhotar a reputação do moço no Mercado Livre – que foi onde eu comprei – e estava muito positiva. Sim, é óbvio que a primeira coisa que você pensa é que o mangá deve estar em péssimo estado, já que o valor médio dele é R$100. Mas R$70 de diferença são muita coisa, então fui e comprei.

Confesso que ainda não li o mangá, mas folheei e percebi que a primeira folha está bem amareladinha. Em todo caso, eu sou o tipo de colecionadora que não se importa tanto assim com o ótimo estado de conservação, quando é um volume impossível, como era o caso.


Se após a leitura eu constatar defeitos grotescos, compartilho com vocês. Mas por enquanto estou muito feliz com a compra e aconselho a vocês que estão tentando fechar uma coleção que não desistam. Pesquisem, fucem! As promoções estão aí para serem encontradas, e nesses tempos de crise, está melhor ainda para isso. Até mais!

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Semana 41 – As coisas mais difíceis num relacionamento são



Antes de tudo, desculpem pelo sumiço. Esta semana está sendo bem complicada. Mas, tenho uma boa notícia: ontem eu tinha prova, mas como não tinha energia na faculdade, os alunos foram liberados :D

Tenho uma coisa para compartilhar com vocês, mas aguardem até segunda… quem me segue pelo Instagram já está sabendo, mas enfim, vamos a Tag. Lembrando que as minhas respostas valem tanto para namoro, família, amigos… tudo que for relacionamento mesmo.

Aceitar os defeitos

As pessoas não são perfeitas. Ok, todo mundo sabe disso. Porém, muitas pessoas entram em um relacionamento pensando que o outro tem que mudar. Mas não é assim que o mundo funciona. Mudar é saudável, mas aceitar também é. Existem características que são tão intrínsecas ao indivíduo que são impossíveis de serem modificadas. Assim, uma coisa difícil e extremamente necessária é aprender a aceitar essas coisas que não podem ser mudadas.

♥ Manter o amor-próprio

Muitas vezes, ao nos relacionarmos com outras pessoas, acabamos colocando essa pessoa em primeiro lugar, acima, até mesmo, do nosso próprio bem-estar. Entretanto, cuidar de si próprio, se amar, e respeitar os próprios limites, são formas difíceis e eficazes de manter relacionamentos saudáveis. Quem te ama, tem que te amar pelo que é. Então, coisas que excedem seu limite devem ser evitadas – e explique para o outro o motivo disso.

♥ Falar

Vou te contar um segredo: as pessoas não leem pensamento. É sério isso. Tem muita gente que acha que o parceiro/amigo/mãe/etc tem que olhar para a sua cara e adivinhar o que você está sentindo. Ou, então, que quando digo que odeio festas surpresas, na verdade eu quero ter uma e nunca tive. Falar é a chave para tudo. Talvez algo seja difícil para você, mas se você não falar, como a outra pessoa vai saber disso? Mesmo que você for mal interpretado, mal compreendido… o que vale é saber que você fez a sua parte, que foi expor o que sente/pensa.


 Para mim, essas são as três coisas mais difíceis. E para vocês? Até logo!

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

A criança que nasceu com o sofrimento do mundo


De eras em eras, nascia uma criança especial, portadora de todo o sofrimento do mundo. Entretanto, receber tal criança no seio familiar – ou na sua comunidade de origem – não era uma das tarefas mais fáceis. Graças ao alto grau de dificuldade para lidar com toda a dor carregada por esse indivíduo, ele geralmente era rejeitado e abandonado, e a Morte o carregava, e acumulava esse e todos os outros flagelos vividos pela sociedade para posteriormente depositar tudo em uma nova criança.

E foi assim que em uma cidade extinta e longínqua nasceu o Menino.

Seus pais logo notaram que havia algo errado com ele, pois era um bebê que chorava muito e não importava o que fizessem, continuava a chorar e suspirar em lamentos de cortar o coração. Não demorou para que os vizinhos notassem a estranheza da criança e o quanto sua presença provocava aflição. Os pais do menino, entretanto, desejaram tanto aquela criança e a amaram tanto, que suportavam toda a dor do Menino e devolviam tudo em forma de amor.

Com isso, o bebê foi crescendo até se tornar um garotinho. Ainda ostentava um pesar nunca antes visto na face da Terra, mas a devoção e estima de seus pais arrancavam lasquinhas dessa crosta de amargura que o cobria. Porém, cada vez que ele se tornava um pouco menos infeliz, algo ruim acontecia. Pequenas pragas ou doenças tomavam conta da cidade, e conforme o tempo passava, as pessoas passaram a ver o Menino como uma ameaça.

Em um dos aniversários do Menino, os pais lhe prepararam guloseimas deliciosas e um pequeno bolo, e comemoraram de forma tão bela, que pela primeira vez rolaram, pela face rechonchuda e inocente, gotinhas de felicidade.

Nesse mesmo dia, uma enfermidade catastrófica matou mais da metade das crianças da cidade. Revoltados, os cidadãos se reuniram e invadiram a casa daquela pequena família e tiraram o Menino deles. Após terem feito isso, trancaram todas as entradas e atearam fogo no casebre, para se certificar de que aquele casal nunca mais colocaria no mundo crianças como o Menino.

A criança teve seu corpo coberto por bandagens, de forma que parecia-se com um pequeno casulo – embora ele soubesse que seu destino não seria se tornar livre como uma borboleta. Por trás da faixa, apenas seus olhos grandes e expressivos não estavam cobertos. Mas mesmo que ele não pudesse ver, ainda ouviria os gritos lancinantes de dor de seus pais, enquanto chamavam seu nome, através das chamas que consumiam sua morada. 

A imensa miséria espiritual com a qual estava habituado não era nada comparada ao que sentia com o padecimento de seus pais e a impotência por não poder fazer nada para salvá-los.

Seus olhos, naturalmente dourados, se tornaram de um vermelho tão vivo quanto o das labaredas que lambiam os restos do lugar que um dia chamou de lar. Seu pesar natural se tornou algo pesado e rubro em um misto de animosidade e horror.

As faixas nas quais seu corpo havia sido enrolado se desprenderam em uma explosão e um círculo gigante e paralisante tirou a vida daqueles que o rodeava. E mesmo após isso, a agonia de sua alma continuava e suas lágrimas machucava a todos que se aproximassem. Durante o tempo que vagou pela cidade, apenas morte e sofrimento o rodearam. Até que alguns dias após a morte de seus pais, seu corpo pequeno caiu e a vida passou a fugir-lhe aos poucos. Estava padecendo de inanição.

Vendo-o desmaiado, as poucas pessoas que restaram na cidade cavaram uma cova profunda e jogaram seu corpo lá. Ainda com resquícios de vida em seus olhos, o Menino pode ver e sentir o peso de cada nova pá de terra jogada sobre ele.

Quando a Morte veio lhe buscar, no intuito de completar o ciclo da criança que nasce com todo o sofrimento do mundo, não pode carregar-lhe a alma. O amor verdadeiro que conheceu em vida somado ao hediondo fim de sua alma inocente, aprisionou para sempre a dor naquele pequeno coração. Não podendo cumprir seu papel, a Morte retirou o pequeno corpo, que agora dormia calmamente, e o depositou em uma pirâmide da cidade de Shurima. E, uma vez que teria para sempre o sofrimento do mundo aprisionado em seu ser, a Morte levou dele as lembranças que teve em vida. Mas uma era tão forte, que nem mesmo a morte era capaz de apagar: era voz de seus pais, enquanto morriam, sussurrando seu nome “Amumu…”.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Semana 40 – Meus cheiros preferidos são



Adivinha quem voltou do feriado prolongado? Eu XD. Colocarei a Tag em dia e os posts continuarão na mesma data (segunda, quarta e sexta). Ah, sim, indiquem o blog para amigos, parentes, conhecidos ou para pessoas que vocês acham que vão gostar… se mais uma pessoa seguir o blog, finalmente terei 30 seguidores – gosto de números redondinhos. E agora, o desafio:

♥ Morango

Gosto muito do cheiro da fruta mesmo, dá água na boca. Mas muitas coisas com cheiro artificial de morango também me agradam. E se preparem, porque acho que esse é o cheiro mais normal do qual eu gosto.

♥ Gasolina

Ahm… vamos generalizar de uma vez: gosto do cheiro de gasolina, esmalte, tinta, querosene… Claro, desde que não esteja forte o suficiente para me dar dor de cabeça.

♥ Álcool

Se você é da minha era, você se lembra da professora fazendo cópias no mimeógrafo, e as folhas saíam todas úmidas e com cheirinho de álcool. É um cheiro nostálgico para mim.

♥ Padaria

Eu poderia dizer “pão assando”, mas eu gosto da mistura dos cheiros: pão, bolo, salgado, tortas… tanta coisa gostosa que dá uma overdose de fome.

♥ Eduardo

Para quem não sabe, esse é o nome do meu namorado :D e eu gosto muito do cheiro dele. E, para falar a verdade, antes de namorar com ele eu achava que esse papo de que as pessoas têm cheiro característico era balela. Não, é, gente. Pessoas têm cheiro e o dele é uma delícia >//<


É isso! E quais são os seus cheiros favoritos? 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Capítulo 4 - Viagem



((Lawliet))

Depois que saí do palácio de mármore, ainda ouvia as orientações de Lumiére em minha cabeça.

No fundo do penhasco haveria um rio com poderosas correntezas; depois de alguns quilômetros, suas águas desaguariam em uma imensa cachoeira. Ao caminhar um pouco mais, notaria as montanhas rochosas que ele havia descrito e, logo depois, um túnel subterrâneo me guiaria a uma área desértica onde, enfim, estaria o portal para o Mundo Shinigami.

A caminhada ia ser longa.

Sem sequer parar para pensar, resolvi poupar tempo: joguei-me do desfiladeiro. A sensação de queda foi ótima; o vento pareceu amortecer meu peso.

Antes de tocar a água, manifestei minhas asas e elas surgiram, impulsionando-me para cima. Sobrevoei seguindo a correnteza.

(...)

Eu queria me agarrar à lógica, sempre fui bom nisso. Mas enquanto voava, minha mente foi dominada por um turbilhão de pensamentos inconstantes, onde a racionalidade e as emoções misturavam-se em completa desordem.

Quando o encontrasse, qual seria minha reação? Será que um sentimento de vingança me possuiria, já que Light permitiu que Rem me matasse? Seria transformado em um ser movido pelo ódio?

Pela primeira vez em minha existência, eu não sabia qual seria meu comportamento diante de tamanha situação. Na realidade, não tinha certeza nem mesmo de que ainda era o Lawliet destemido que fui no mundo humano...

Enquanto me aproximava da cachoeira, mais um pensamento rasgou minha mente: será que eu estava errado, e Light havia se arrependido? Talvez ele tenha enxergado seus erros... Talvez, só talvez, Light não esteja perdido. Talvez eu pudesse salvá-lo... Mas os constantes “talvez” eram tantos que me senti idiota por pensar assim.

No fundo do meu ser, sabia que não havia saída para um assassino como o Kira foi. Tinha que me apegar à realidade, antes que acabasse enlouquecendo. Light Yagami traçou seu destino em sua vida humana; era inevitável. Sempre seria assim.

(...)

Finalmente, a viagem havia terminado. Lá estava eu, de frente ao portal que me faria sair do mundo ao qual pertencia.

Virei-me e observei. Tentei distinguir as formas do suntuoso palácio, ou das montanhas que se tornaram meu refúgio, mas não consegui. Essa poderia ser a última vez que meus pés tocariam o Paraíso, e nem me despedi de Watari...

“Não preciso me despedir. Eu vou voltar”, pensei.

Voltaria mesmo?

Antes que pudesse ter a chance de me arrepender, cruzei o portal.

(...)

A sensação era infernal. Como se cada parte do meu ser estivesse sendo preenchida por fogo. Em meio à insuportável dor, uma pequena parte de mim tinha plena consciência da violenta queda de energia que estava sofrendo. Ela se dissipava, e meu incêndio interior tornava-se ainda mais brutal.

Tentando suportar todas essas variações, me peguei tentando distinguir alguns contornos: já podia notar a imensidão cinzenta que era o Mundo Shinigami. Foi nesse momento que, como um raio, me choquei contra o chão.

(...)

Por vários segundos, fiquei apenas lá. Deitado de lado, olhos fechados e respiração pesada, naquela cratera formada por minha queda e no estado penoso em que me encontrava, sabia exatamente que estaria à mercê de qualquer inimigo que passasse por ali.

Mais por costume que por necessidade, respirei fundo e abri os olhos. Com dificuldade, me levantei do chão; minha visão se embaçou e fiquei tonto.

Caí de joelhos.

Droga. Anjos não sentiam vertigem, então aquele não era um bom sinal. Precisava ser rápido. Com uma boa dose de força de vontade, me ergui novamente e saltei da cratera. E olhei ao redor.

Consegui ver algumas montanhas pontudas, o chão era totalmente coberto de ossos e rochas ásperas por toda parte... Além de minha visão que começava a oscilar, a névoa não permitia que enxergasse coisa alguma. Aquele não era exatamente o mundo que escolheria para passar as férias...

Irracionalmente, comecei a sentir frio. Por instinto, me abracei, mesmo sabendo que tal gesto seria inútil. Por um pequeno instante, rocei minhas mãos na esperança de as aquecer, e notei que elas, mesmo sólidas, estavam frágeis, como se pudessem... desaparecer a qualquer instante.

Era como Lumiére havia me dito: pouco a pouco, parte por parte, célula por célula, eu iria desaparecer. E logo, estaria começando.

(...)

Percebi que não estava sozinho, o calor presente no espaço não era só meu.

Girei-me e, instantaneamente, senti certo desconforto: era como se estivesse frente a frente com um espelho. E onde estava a névoa?

“Então um shinigami pode mudar de forma?”, pensei.

– Vejam só, o anjo detetive veio visitar os condenados. -, comentou com minha voz, dando um leve sorriso.

– Quem é você? – perguntei.

Ele ficou inexpressivo, como se decidisse entre falar ou não e, ao colocar o polegar nos lábios (já havia visto esse movimento antes), respondeu:

– Sou L, assim como você.

Consegui não demonstrar a confusão que senti com aquela afirmação. Quem era ele? Por que diabos estava brincando comigo daquela forma? Eu não tinha tempo. Se demorasse, eu simplesmente evaporaria. Não podia me permitir a brincar de “outro eu”.

– Light. Onde ele está? – perguntei sério.

O outro L foi até uma pedra próxima a mim e sentou-se, de uma maneira que eu também conhecia.

– Qualquer um no seu lugar o odiaria com todas as forças. Afinal, se você não tivesse morrido, o chamado “Caso Kira” teria terminado há anos.

Aproximei-me.

– Mas agora acabou. Ele está morto, não é? Isso que importa. É o pior dos castigos, pelo menos pra ele.

– Tem certeza que acabou? – ele questionou.

Tinha a mínima impressão de que esse outro eu estava com vontade de colaborar, então não hesitei:

– Não. Se minhas suspeitas estiverem corretas, Light tornou-se um shinigami. Sendo assim, ele tem o direito de possuir um caderno. Light vai tentar concluir seus planos iniciais, que foram impedidos. Pelo menos temporariamente.

O outro L sorriu, novamente.

– Lawliet... sempre tão esperto...

– L – corrigi. Apesar de não ter mais importância alguma, eu não me sentia bem com meu verdadeiro nome sendo espalhado por toda parte.

– Então estou certo, não é mesmo? Yagami é um deus da morte agora?

– A morte deixou você bem impaciente.

Acho que ele é quem ficaria impaciente se eu lhe desse um chute na cara. Realmente não podia mais perder tempo com toda aquela enrolação. Sentia-me cada vez mais fraco...

Desviei dele e comecei uma lenta caminhada. Eu queria voar, mas não possuía mais forças. Tudo o que eu queria naquele momento era ficar longe daquela imitação irreal de mim.

– LIGHT! – chamei. Senti-me um idiota gritando para o nada, mas mesmo assim eu tinha que tentar.
– Ele não está mais aqui – disse o outro L. Olhei para ele à espera de mais informações.

– Ele foi para o Mundo Humano. E parecia bastante animado...

Seu sorriso tornou-se maligno.


“Droga”, pensei.
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 renata massa